Culturas Oceânicas é um projeto que articula pesquisa, formação, ação comunitária e produção de narrativas para fortalecimento da luta por direitos de trabalhadoras e trabalhadores em comunidades pesqueiras e territórios afetados pela questão da água e injustiça socioambiental. Seu objetivo é contribuir para que os sujeitos historicamente vinculados a esses territórios possam alcançar melhores condições de vida e trabalho.
O projeto surge a partir da parceria da Germinal com o Programa de Pesquisa- Ação na Cadeia Produtiva da Pesca Artesanal do Litoral Fluminense, o PAPESCA, vinculado ao Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social da UFRJ, NIDES/UFRJ. Desse encontro, o Culturas Oceânicas herda referências importantes de trabalho comprometidas com a pesquisa-ação, com o encontro de saberes e com a valorização das experiências e conhecimentos produzidos nos territórios. Isso se somou à vivência acumulada de integrantes e outros parceiros da Germinal, ao longo de mais de 15 anos em diferentes territórios do litoral brasileiro.
Território e Atuação
Partindo dessas perspectivas e acúmulos, entramos em contato com demandas do território pesqueiro de Suruí, em Magé, onde desenvolvemos, desde 2024, ações em parceria com a Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangues de Magé. Entre as ações realizadas, destaca-se o fortalecimento de uma cozinha comunitária, entendida como espaço de produção e geração de renda, e também como lugar de encontro, organização coletiva, valorização do trabalho e construção de autonomia.
As atividades do projeto envolvem diagnóstico participativo da cadeia produtiva da pesca no território, apoio em mobilizações por direitos, produção de conteúdos de comunicação para visibilização das demandas e realizações locais, organização de eventos para compartilhamento do desenvolvimento da pesquisa e realização de encontros culturais, como cineclubes, para construção de espaços de troca e debate na comunidade.
Culturas Oceânicas e Justiça Socioambiental
Culturas oceânicas nasce do reconhecimento de que não existe uma única cultura sobre os oceanos, mares e marés. Ao adotar o plural no nome do projeto, afirmamos que esses territórios são atravessados por múltiplas formas de vida, trabalho, memória e produção de conhecimento. Falar em culturas oceânicas significa recusar visões únicas e hierarquizantes, reconhecendo que nas águas e em suas margens se encontram diferentes modos de existir.
A Germinal atua no projeto a partir do entendimento de que a relação com os ambientes costeiros e marinhos não pode ser pensada apenas pelos marcos da ciência hegemônica ou por políticas formuladas de forma hierárquica. Partimos do diagnóstico de que é necessário ter atenção às desigualdades históricas que silenciam, deslegitimam ou invisibilizam os saberes produzidos por povos indígenas, comunidades quilombolas, periferias e comunidades tradicionais. Por isso, buscamos contribuir para que essas cosmologias e epistemologias sejam fortalecidas, reconhecidas e colocadas no centro dos debates sobre território, meio ambiente e futuro. Culturas Oceânicas é, assim, um projeto comprometido com a justiça socioambiental e com a justiça epistêmica.
Conheça a Associação de Caranguejeiros e amigos dos Mangues de Magé, parceira do projeto
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