Esta tese investiga os sentidos de periferia a partir de uma etnografia de circuitos audiovisuais da Baixada Fluminense, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Seu objetivo é discutir algumas das razões que fizeram a periferia ser descrita por diversos agentes como uma “novidade” inaugurada nos anos 2000 a fim de refletir sobre o papel dos coletivos culturais nesse processo e as formas como seus integrantes percebem e representam a cidade. Se antes parecia impossível ser de origem pobre e fazer cinema, essa passou a ser uma possibilidade com as mudanças ocorridas nos rumos políticos e sociais do país, somadas a um aumento do acesso a dispositivos de comunicação, sobretudo os audiovisuais. Impulsionada por esse contexto e por seu histórico de atuação na produção audiovisual popular, a Baixada Fluminense foi um terreno fértil para o florescimento de coletivos audiovisuais que atualmente se organizam em torno de um movimento comum: o Baixada Filma. A pesquisa, realizada entre 2018 e 2024, teve como foco os cineclubes vinculados a essa rede a fim de analisar os usos que seus integrantes fazem do termo periferia como categoria de representação. A partir da observação participante, da análise fílmica e documental, é investigado o tripé que os sustenta: exibição, formação e produção. O trabalho busca evidenciar o valor das redes, dos encontros, dos conflitos, da diversão e de metodologias participativas para existência desse tipo de movimento, discutindo como a construção de novos sentidos sobre a periferia é parte de uma relativização da ideia de centro movida por processos de afirmação e reconhecimento de identidades territoriais.